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sábado, 30 de outubro de 2010

Eleições 2010: nem Dilma nem Serra têm propostas que defendam os direitos dos homossexuais

No dia 31 de outubro, todos os brasileiros deverão ir às urnas para decidir quem será  novo presidente do País pelos próximos quatro anos. Com medo de ir contra os setores mais tradicionais e conservadores da sociedade, principalmente os religiosos, os candidatos Dilma Rousseff e José Serra optaram por ficar em cima do muro e não manifestaram apoio às reivindicações da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT).

A entidade encaminhou uma carta aberta aos representantes dos dois partidos, respectivamente, PT e PSDB, cobrando "respeito à democracia, respeito à cidadania de todos e de todas, respeito à diversidade sexual, respeito à pluralidade cultural e religiosa". A ONG diz ainda que é inaceitável que "o preconceito, o machismo e a homofobia sejam estimulados por discursos de alguns grupos fundamentalistas e ganhem espaço privilegiado em plena campanha presidencial"

Reportagem do jornal A Folha de S.Paulo na internet aponta que os dois já defenderam publicamente a união civil de casais homossexuais, bem como permitir que os mesmos possam adotar crianças. Porém, são ideias defendidas vagamente, o que causa revolta e preocupação na comunidade gay. Pressionada, Dilma garantiu que não irá enviar ao Congresso nenhuma lei que de impacto na religião, enquanto Serra, na mesma situação, disse que é das Igrejas a responsabilidade para decidir sobre casamentos entre homens e mulheres, repercute o jornal O Globo.

O que é notório é que em pleno século XXI nossos políticos, como reflexo das lideranças sociais, ainda rejeitam formas de expressão da relação humana que existe desde que "mundo é mundo". O diferente é que com a democracia e liberdade de pensamento, mais e mais pessoas deixaram suas máscaras e passaram a viver como melhor lhes convêm, sem terem que se esconder sobre a instuição do casamento, mesmo, infelizes.

O HdeHomem, que é editado por um jornalista, segue os princípios da imparcialidade da informação e não vai sugerir qual dos dois seria o melhor para o País, mas pede a reflexão de todos na hora do encontro com a urna eletrônica. É claro que não é só a temática gay que deve ser levada em consideração para fazer a escolha, mas é um indício que há outros assuntos importantes para os brasileiros que podem acabar sendo tratados de maneira semelhante. Vote consciente.


Leia a carta da ABGLT na íntegra

Carta aberta da ABGLT as candidaturas presidenciais de Dilma Roussef e José Serra

Prezada Dilma e Prezado Serra,
A Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais – ABGLT, é uma entidade que congrega 237 organizações da sociedade civil em todos Estados do Brasil. Tem como missão a promoção da cidadania e defesa dos direitos de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais, contribuindo para a construção de uma democracia sem quaisquer formas de discriminação, afirmando a livre orientação sexual e identidades de gênero.

Assim sendo, nos dirigimos a ambas as candidaturas à Presidência da República para pedir respeito: respeito à democracia, respeito à cidadania de todos e de todas, respeito à diversidade sexual, respeito à pluralidade cultural e religiosa.

Respeito aos direitos humanos e, principalmente, respeito à laicidade do Estado, à separação entre religião e esfera pública, e à garantia da divisão dos Poderes, de tal modo que o Executivo não interfira no Legislativo ou Judiciário, e vice-versa, conforme estabelece o artigo 2º da Constituição Federal: “São Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário.”

Nos últimos dias, temos assistido, perplexos, à instrumentalização de sentimentos religiosos e concepções moralistas na disputa eleitoral.

Não é aceitável que o preconceito, o machismo e a homofobia sejam estimulados por discursos de alguns grupos fundamentalistas e ganhem espaço privilegiado em plena campanha presidencial.

O Estado brasileiro é laico. O avanço da democracia brasileira é que tem nos permitido pautar, nos últimos anos, os direitos civis dos homossexuais e combater a homofobia. Também tem nos permitido realizar a promoção da autonomia das mulheres e combater o machismo, entre os demais avanços alcançados. O progresso não pode parar.

Por isso, causa extrema preocupação constatar a tentativa de utilização da fé de milhões de brasileiros e brasileiras para influir no resultado das eleições presidenciais que vivenciamos. Nos últimos dias, ficou clara a inescrupulosa disposição de determinados grupos conservadores da sociedade a disseminar o ódio na política em nome de supostos valores religiosos. Não podemos aceitar esta tentativa de utilização do medo como orientador de nossos processos políticos. Não podemos aceitar que nosso processo eleitoral seja confundido com uma escolha de posicionamentos religiosos de candidatos e eleitores. Não podemos aceitar que estimulem o ódio entre nosso povo.

O que o movimento LGBT e o movimento de mulheres defendem é apenas e tão somente o respeito à democracia, aos direitos civis, à autonomia individual. Queremos ter o direito à igualdade proclamada pela Constituição Federal, queremos ter nossos direitos civis, queremos o reconhecimento dos nossos direitos humanos. Nossa pauta passa, portanto, entre outras questões, pelo imediato reconhecimento da união estável entre pessoas do mesmo sexo e pela criminalização da discriminação e da violência homofóbica.

Cara Dilma e Caro Serra

Por favor, voltem a conduzir o debate para o campo das ideias e do confronto programático, sem ataques pessoais, sem alimentar intrigas e boatos.

Nós da ABGLT sabemos que o núcleo das diferenças entre vocês (e entre PT e PSDB) não está na defesa dos direitos da população LGBT ou na visão de que o aborto é um problema de saúde pública.

Candidato Serra: o senhor, como ministro da saúde, implantou uma política progressista de combate à epidemia do HIV/Aids e normatizou o aborto legal no SUS. Aquele governo federal que o senhor integrou também elaborou os Programas Nacionais de Direitos Humanos I e II, que já contemplavam questões dos direitos humanos das pessoas LGBT. Como prefeito e governador, o senhor criou as Coordenadorias da Diversidade Sexual, esteve na Parada LGBT de São Paulo e apoiou diversas iniciativas em favor da população LGBT.

Candidata Dilma: a senhora ajudou a coordenar o governo que mais fez pela população LGBT, que criou o programa Brasil sem Homofobia, e o Plano Nacional de Promoção da Cidadania e Direitos Humanos de LGBT, com diversas ações. A senhora assinou, junto com o presidente Lula, o decreto de Convocação da I Conferência LGBT do mundo. A senhora já disse, inúmeras vezes, que o aborto é uma questão de saúde pública e não uma questão de polícia.

Portanto, candidatos, não maculem suas biografias e trajetórias. Não neguem seu passado de luta contra o obscurantismo.

A ABGLT acredita na democracia, e num país onde caibam todos seus 190 milhões de habitantes e não apenas a parcela que quer impor suas ideias baseadas numa única visão de mundo. Vivemos num país da diversidade e da pluralidade.

É hora de retomar o debate de propostas para políticas de governo e de Estado, que possam contribuir para o avanço da nação brasileira, incluindo a segurança pública, a educação, a saúde, a cultura, o emprego, a distribuição de renda, a economia, o acesso a políticas públicas para todos e todas!

Eleições 2010, segundo turno, em 15 de outubro de 2010.

ABGLT – Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais

Um comentário:

  1. Esperamos apoio mesmo. Pois não entendo por que tanta discriminação, toda forma de amor é válida; ainda mais num mundo que estamos hoje em dia! violência, maus tratos de crianças, pedofilia, miséria e corrupção. Estes são palavrões. Tanta coisa para ser corrigida! Porque se preocupar com a vida dos outros. Está te prejudicando? Alguêm foi imoral com sua pessoa? Deixa cada um cuidadar do seu. Eu moro a 7 anos com uma mulher, estamos bem, felizes. Se é para procriar, pois bem, vou fazer inciminação e garanto que meu bebê não será jogado no lixo, maltratado ou posso adotar uma criança. Será educado com caráter e sem preconceitos. Não estamos pedindo a permissão de ninguêm. Só nos respeite só isso! Queremos nossos direitos, pois vivemos com outra pessoa, dividimos despesas, conquistamos bens materiais. É um direito de todo cidadão que paga seus impostos. E já possuimos contrato homoafetivo. O que discutir? Grata

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