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terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Do começo ao fim: história de amor entre irmãos peca muito


Depois de um trailer que desperta a curiosidade e cria expectativas para o primeiro filme brasileiro que aborda o incesto entre dois irmãos, ambos homens, "Do Começo ao Fim" se perde no enredo. Assisti ontem no Unibanco Arteplex Porto Alegre o filme de Aluízio Abranches e bem antes de chegar na metade já me sentia aguniado à espera pelo final. A começar pela trilha sonora, que segue a maior do tempo instrumental na tentativa de dar um ar mais dramático às cenas, porém acaba criando a sensação de que os 90 minutos da produção duram bem mais.

Sobre as atuações, Julia Lemmertz (Julieta), Fábio Assunção (Alexandre) e Rafael Cardoso (Thomás) dão a credibilidade que o filme precisa, mas João Gabriel (Francisco) peca, e muito. Apesar de belo modelo, suas interpretações de alegre, triste, confuso ou decidido parecem ser a mesma. Já as crianças Grabriel Kaufman e Lucas Cotrim (respectivamente Thomás e Francisco na primeira fase da história) surpreendem.

Um dos grandes atrativos da produção, Rafael Cardoso e João Gabriel totalmente pelados, acaba não se justificando. Uma nudez gratuita - ou melhor, para atrair o público ao cinema. Na primeira cena do estilo, um está frente ao outro se despindo antes de um longo beijo. Depois, na cama, despertando com mais beijos. E no banheiro, enquanto um se barbeia, outro toma banho, em um interessante jogo com o espelho. E ainda, em um devaneio, a dupla dança tango sem roupas. As mesmas cenas poderiam ter sido feitas sem a necessidade de mostrar as genitálias - e a obrigatoriedade da história ser desaconselhada para menores de 18 anos.

O público que estava no cinema também me chamou atenção. A expectativa é que apenas casais de homens gays e mulheres lésbicas adentrassem à sala. Entretanto, casais heteros também se aventuraram - em que na maioria dos casos, o companheiro estava ruborizado.

Outro ponto que poderia ser melhor explorado é transição do amor fraterno para um amor mais sexualidade, que provavelmente deva ter ocorrido na puberdade. A primeira parte do filme mostra o zelo exagerado de um menino pelo outro. A preocupação e o estranhamento dos país. E depois, quase que em flashes, passa a morte do pai de Francisco (Pedro, interpretado pelo argentino Jean-Pierre Noher), pula alguns anos para o falecimento de Julieta e vai direto para o amor e desejo entre os dois, já com 20 e 26 anos. Neste momento, em que eles poderiam ficar juntos e ser felizes para sempre, Thomás é convidado para treinar natação na Rússia por três anos. Ele vai e Francisco fica perdido. Chega a ir a uma casa noturna, conhece uma mulher e o DJ da balada - bem parecido com o irmão -, mas quando todos acreditam que ele vai ficar com rapaz, acaba beijando é a rapariga?!

Não vou me atrever a contar o resto da história. Quem quiser tirar suas próprias conclusões ou mesmo só curtir o polêmico filme, tem que aproveitar para ir logo ao cinema antes que saia de cartaz. Ou tentar encontrar na internet e o arquivo não ser um vírus disfarçado.

Mas posso afimar com convicção: De Repente, Califórnia (Shelter), o outro filme do gênero que assisti este ano, é bem melhor e deixa aquela sensação de querer ver muito mais.

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